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1 1 5 anos 1 dia ago
by posgeo
1 1 6 anos 14 semanas ago
by posgeo
Academia de Injustiças por Rogério Haesbaert (professor associado do Departamento de Geografia da UFF) Acredito que o principal legado que recebi através da rígida educação de meu pai foi a condenação veemente de todo tipo de injustiça. Segui toda a minha trajetória tentando colocar em prática esse legado. Não fazer julgamento prévio e, sobretudo, não confundir o sentimento pessoal, mais subjetivo, que temos pelo outro e a razão, objetiva, que permite efetivamente avaliar e julgar ou, em síntese, fazer justiça. Mas quão difícil se revela esta empreitada... Sinceridade de sentimentos nem sempre se conjuga com sinceridade da razão. Racionalmente pensamos, refletimos e concluímos algo, mas esta posição é sufocada pela força da “sinceridade” de um sentimento afetivo, pessoal, que extrapola qualquer possibilidade de livre julgamento. E eu nunca imaginara que, entrando na “academia”, naquele que pretensamente seria o território por excelência da razão, iria enfrentar os mais sérios dilemas desse confronto entre razão, interesse e sensibilidade. Ai nda mais hoje, quando um mundo pós-estruturalista ou moldado por um affective turn (uma “virada afetiva”), pós-pós-moderna, parece às vezes condenar toda definição de objetividade. Mas devemos buscar resistir, e nada justifica, pelo menos na própria prática cotidiana do mundo acadêmico, para além da própria discussão teórico-filosófica, a ausência de razão ou de julgamentos racionalmente discutidos e devidamente avaliados. O âmbito acadêmico é, queiramos ou não, o mundo dos julgamentos e das avaliações. Avaliação no vestibular, avaliação em sala de aula, avaliação de currículos, avaliação de produção docente, avaliação de cursos, avaliação em concursos públicos... Uma espiral que não acaba e que, por mais que a ela sejamos críticos, se impõe como que compondo a própria “natureza” do “ser” acadêmico. Não é o objetivo, aqui, entrar no polêmico, imensamente controverso, mundo dos “critérios de avaliação”, tremenda mente condenáveis pelo peso dado à pretensa objetividade dos númer os, da contabilização generalizada. Gostaria de me concentrar na reflexão sobre as injustiças cometidas naquilo que vou chamar de “intromissão político-afetiva” nas “razões” que levam muitos colegas – e seu número é muito maior do que se imagina – a tomar decisões e a fazer julgamentos completamente equivocados em nome de sentimentos nada justos de proximidade afetiva e vínculos pessoais atrelados a alianças “políticas” (geralmente da “baixa política”, relegada ao conflito de interesses dentro da própria instituição) e/ou pretensões de status ou financeiras. O que mais impressiona é o grau de injustiça que acaba se destacando como o grande saldo desse processo. Em plena instituição universitária, pretensamente o lócus da intelligentsia nacional e guardiã dos mais profundos princípios de igualdade, justiça e mérito, brotam decisões as mais esdrúxulas e descabidas. Centrado no próprio corporativismo que protege apenas os semelh antes e na impunidade que graça por todo canto na sociedade, denunciar o grau de injustiça que brota no seio dessas instituições é extremamente raro, especialmente frente à dimensão do problema. Às vezes ele parece estar de tal forma entranhado no sistema universitário que parece constituir sua própria “índole”, se uma única “índole universitária” fosse de fato possível. Mistura-se frequentemente o desejo pessoal ou de um grupo com a decisão racional e mais justa. De concursos públicos para novos professores a avaliações internas, já presenciei vários casos, alguns com consequências menos graves, outros, profundamente danosos, por seus efeitos no longo prazo – como na definição de vagas e aprovações em concursos públicos docentes. O que mais surpreende é o descompasso entre o discurso acadêmico de profissionais, muitas vezes reconhecidos nacionalmente por sua competência, que pregam o tempo inteiro a justiça social, a igualdade de for ças para a luta, a isonomia política e, em suas práticas, quando d efrontados com um processo qualquer de julgamento, tomam decisões estritamente pessoais e profundamente pautadas por suas relações de ordem político-ideológica e/ou pessoal-afetiva. Já participei de concursos públicos em que alguns colegas, profissionais dos mais sérios e competentes, defendiam abertamente candidatos menos gabaritados e claramente ligados a seus grupos de pesquisa e/ou de amizade. Notas absurdamente altas e desproporcionais – para currículos nitidamente inferiores, eram dadas sem cerimônia e, quando se propunha discuti-las, não aparecia nenhum argumento plausível. Felizmente muitos concursos estabelecem a divulgação das notas individualmente, por membro da banca. Mas mesmo assim, ficando escancarado o critério totalmente injusto de alguns, estes arcam com o ônus da parcialidade avaliativa e mantêm o absurdo de suas avaliações. Outros, mais sutis, fazem algum tipo de chantagem junto à banca para impor defeitos subjetivos (nunca passíveis de comprovação) a candidatos que, mesmo sendo melhores, não são os (previamente) “escolhidos pela casa”. Mesmo no dia-a-dia, comentários sobre produções intelectuais, presença de citação de colegas, tudo se mescla facilmente com a vaidade, a tremenda parcialidade e/ou o reconhecimento apenas de quem partilha da mesma “fé” ou “cartilha” intelectual. O ano que passei como representante de área no CNPq me ajudou a perceber – e a me indignar profundamente – (com) a falta de objetividade nas avaliações de projetos de muitos de nossos colegas. Dependendo do pesquisador, chega-se a ponto de ter de recomendar ao órgão que não encaminhe o projeto para um determinado avaliador – especialmente aquele que, quando não abertamente “rompido” com seu companheiro de área, simplesmente não compartilha de sua linha teórica. Pareceres disparatados, sobre projetos bem construídos, são dados em nome da competição dentro de uma mesma área ou tema de pesquisa. Aliás, “competição”, “competitividade”, é uma das características da sociedade – e do capitalismo contemporâneo – mais condenadas pela maior parte dos acadêmicos e que, no entanto, fazem o mais amplo uso dela em suas práticas cotidianas. “Faça o que eu digo mas não faça o que eu faço” é velho ditado que continua amplamente válido no meio universitário. Do mais competente ao mais inexpressivo dos profissionais, a confusão entre razão, interesse e emoção parece ser mais a regra do que a exceção. Definitivamente, vivemos o mundo dos “afetos” e interesses (pessoais) que, no fundo, significam simplesmente a busca constante de "poder" (a "baixa política" do reconhecimento). Por fim, critérios de verdade para pautar o justo são cada vez mais raros. Nem sempre é o efetivamente melhor que vence e, ainda assim, alega-se estar “fazendo justiça” por motivos de outra ordem, muito mais subjetivos e/ou “políticos” – daquela “baixa política”, como já comentamos, que nunca coloca a verda de acadêmica em primeiro plano, mas as consequências (leia-se também: conveniências) no jogo de disputas por status e poder. As contradições e paradoxos do ser humano, especialmente em suas atitudes e decisões práticas, acabam por se destacar ainda mais em pleno ambiente que ainda é tido pela maioria como um dos que melhor representa a esfera do debate lúcido e da busca da verdade, capaz de pautar as decisões e o entendimento efetivamente mais justos e/ou verdadeiros. Do legado de meus pais permanecerá sempre esta profunda indignação que, ainda que, por vezes, represente apenas prejuízo pessoal em termos de noites mal dormidas e um stress recorrente, dá-nos a certeza de que, pelo simples fato de nos indignarmos – e revelarmos nossa indignação – não pactuamos com a hipocrisia e a injustiça que, infelizmente, tanto marcam a realidade contemporânea. No dia em que a maioria se rebelar e não aceitar essas injustiças, reconhecendo-as desde o nível dos comportamentos individuais, a universidade e – por extensão, quem sabe (acreditando que ainda dialogamos com ela) – a própria sociedade se revelará de fato mais justa, distinguindo entre interesses privados, pessoais ou de pequenos grupos e aquilo que efetivamente representa a construção de um tão falado – mas tão pouco praticado - “interesse público” ou “coletivo” pautado na justiça e na igualdade.
1 1 3 anos 7 semanas ago
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1 1 3 anos 40 semanas ago
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1 1 4 anos 15 semanas ago
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Artigo escrito pelo professor Nelson da Nobrega Fernandes à revista "La Veu del Carrer 129", publicado em setembro de 2013.
1 1 4 anos 5 semanas ago
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1 1 4 anos 38 semanas ago
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1 1 3 anos 30 semanas ago
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1 1 5 anos 49 semanas ago
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Novo texto Do Prof. Dr. Carlos Walter Porto-Gonçalves
1 1 6 anos 10 semanas ago
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Entrevista Arrighi realizada por David Harvey (Os caminhos sinuosos do capital)
1 1 4 anos 43 semanas ago
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1 1 5 anos 35 semanas ago
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1 1 5 anos 25 semanas ago
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1 1 4 anos 43 semanas ago
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